Com o passar dos anos, o nosso corpo pede cuidados mais específicos e atentos. Para quem convive com o diabetes, a atenção aos pés não é apenas uma questão de estética ou conforto, mas sim de preservar a mobilidade e a qualidade de vida.
Com o envelhecimento da população e o aumento dos casos de diabetes, o pé diabético se tornou um dos maiores desafios da saúde pública. No entanto, um alerta recente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Paraná (SBOT-PR) traz uma mensagem de esperança e ação: a maioria das amputações relacionadas à doença pode ser evitada com prevenção e diagnóstico precoce.
Abaixo, explicamos o que você precisa saber para proteger seus passos e garantir sua autonomia.
O perigo silencioso da perda de sensibilidade
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), entre 19% e 34% das pessoas com diabetes desenvolverão úlceras nos pés ao longo da vida. Mas por que isso acontece?
O diabetes, com o passar dos anos, compromete a circulação sanguínea (especialmente nas extremidades) e danifica os nervos. Isso faz com que a pele fique mais ressecada e, o mais perigoso: os pés perdem gradualmente a capacidade de sentir dor.
É justamente essa perda de sensibilidade que torna a condição tão arriscada. Uma pedrinha no sapato, um calçado apertado, uma pequena bolha ou um corte podem passar totalmente despercebidos. Sem o aviso natural da dor, a pessoa continua caminhando, o que agrava a lesão. Quando finalmente o problema é notado, a infecção já pode ter atingido tecidos profundos e até os ossos.
O papel fundamental (e pouco conhecido) do Ortopedista
Muitas pessoas associam o tratamento do diabetes apenas ao endocrinologista para o controle da glicemia. Porém, o ortopedista tem um papel preventivo crucial.
"O nosso papel começa na prevenção. Avaliamos a marcha, a distribuição das cargas nos pés, deformidades, alterações biomecânicas e a necessidade de palmilhas, órteses e calçados adequados", explica a Dra. Bárbara Pupim, ortopedista e membro da SBOT-PR.
Segundo a especialista, quanto mais cedo o paciente é acompanhado, maiores são as chances de corrigir deformidades que aumentam o risco de lesões, preservando a mobilidade. E mesmo em casos mais complexos, os avanços da ortopedia — com técnicas menos invasivas e órteses personalizadas — têm conseguido salvar membros que, no passado, fatalmente seriam amputados.
Guia de Cuidados Cuca Prateada: Protegendo seus passos
A Dra. Bárbara ressalta que o tratamento começa muito antes de qualquer cirurgia: ele começa com informação e atitudes diárias. O paciente precisa ser o protagonista do seu próprio cuidado.
Aqui estão os hábitos simples que fazem toda a diferença:
Inspeção diária: Olhe seus pés todos os dias. Verifique entre os dedos, a sola e os calcanhares em busca de vermelhidão, calos, cortes ou bolhas. Se tiver dificuldade para enxergar a sola, use um espelho ou peça ajuda a um familiar.
Hidratação constante: Mantenha a pele dos pés bem hidratada para evitar rachaduras, mas evite passar creme entre os dedos para não causar frieiras.
Atenção aos calçados: Use sapatos confortáveis, fechados, sem costuras internas que possam machucar e com o tamanho adequado.
Nunca ande descalço: Nem mesmo dentro de casa. Proteja seus pés de topadas, farpas e objetos no chão.
Busque ajuda rápido: Ao notar qualquer ferida, mudança de cor ou alteração na temperatura do pé, procure assistência médica imediatamente. Não tente tratar lesões em casa com receitas caseiras.
Prevenir é cuidar da sua autonomia
Mais do que tratar feridas, prevenir o pé diabético significa garantir que você continue caminhando, passeando e aproveitando a vida com independência.
Mantenha sua glicemia controlada e conte com uma equipe multidisciplinar (endocrinologista, ortopedista, cirurgião vascular, enfermeiros e fisioterapeutas) para cuidar de você de forma integral. Os seus pés são a base da sua jornada — cuide bem deles todos os dias!
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